Terapia em grupo

Terapia em grupo


10/12/2012

Flora da Costa Raimundo: Psicóloga Especialista (CRP 14ª/00753-2)

AS PRIMEIRAS SESSÕES E DESENVOLVIMENTO DA PSICOTERAPIA DE GRUPO E ALGUNS DOS MUITOS BENEFÍCIOS

 

É de fundamental importância entendermos que Terapia de grupo é um método de psicoterapia, inicialmente aprovada para diminuir os custos e aumentar a eficiência

O clima criado pela situação psicoterápica favorece a auto revelação. A interação é livre e espontânea. Os pacientes participam verbalmente ou em silêncio, sem entraves ou censura impostos pela autoridade exterior. Desenvolvem discussão aberta, com livre associação de idéias e sem agenda preestabelecida. O tema desenvolvido pelo grupo tem alguma relevância para os participantes, suscitando pensamentos e sentimentos relacionados a experiências do presente ou do passado. Apesar da gama de sensações e sentimentos - ansiedade, desconforto, constrangimento e pressão - que o participante possa sentir em alguma medida, ele deve sentir-se à vontade para comunicar seus pensamentos, mesmo parecendo que não tenham qualquer relação com o que está sendo discutido, assim como suas preocupações e desapontamentos com o que está se passando naquele momento. Na vida do grupo, todo e qualquer comportamento e evento têm um significado que deve ser avaliado. O recurso que o terapeuta dispõe para facilitar essa tarefa do grupo é a própria associação livre, sem censura das idéias verbalizadas ou das atitudes dos integrantes, bem como da maneira como emergem na malha interativa do processo grupal. Dessa forma, o paciente estará envolvido ativamente na terapia, assumindo responsabilidade com o grupo e desenvolvendo compreensão tanto consigo quanto com os outros. Assim que o grupo amadurece, os participantes tornam-se mais envolvidos e comprometidos entre si, compartilham idéias, trocam suas experiências e oferecem espontaneamente apoio, esclarecimentos e interpretações uns aos outros. Os assuntos do grupo são tratados de forma confidencial e, à medida que os participantes desenvolvem respeito e confiança mútua, começam a assumir riscos nos temas examinados e na interação estabelecida. Decisões de grande importância devem ser discutidas no grupo. Assim que o paciente revela dados pessoais, ele se torna membro integrante do grupo. Neste momento, ele adquiriu seu “bilhete de entrada”. Encontramos participantes que iniciam a terapia de forma cautelosa, permanecendo em silêncio em um primeiro momento, mas acompanhando atentamente; em uma segunda fase, tecem seus comentários a respeito do que está sendo discutido, porém evitando entrar em sua intimidade, para que posteriormente, passem a se revelar. 

OS PARTICIPANTES E A PSICOTERAPIA DE GRUPO

Aspecto importante e indispensável na psicoterapia de grupo é a igualdade de status dos membros. Todos são tratados do mesmo modo, com respeito e dignidade, independentemente da idade, do nível socioeconômico e cultural, talento e capacidade individual. Deve-se considerar que cada participante é uma fonte rica de experiência tanto para si próprio quanto para os demais. Muitos pacientes, ao serem convidados a participar da psicoterapia de grupo, manifestam-se da seguinte forma: “Sou muito tímido; o que irei fazer num grupo se não sei me expressar?” Outros, assim revelam seus receios: “Como posso revelar a estranhos meus problemas... meu relacionamento extraconjugal?” Ou ainda: “Como  irei dizer que sou homossexual?” (...) “Como posso confiar em pessoas que não conheço?” (...) “Poderá um grupo de neuróticos como eu auxiliar a resolver meus problemas?” Já outros ficam logo entusiasmados com o convite e expressam seu desejo de se agregar ao grupo: “Será muito bom!” Ou ainda: “É o tipo de experiência que irá me acrescentar muito” (...) “Será um desafio para mim”. De acordo com a forma de se expressar, presume-se o papel que o participante irá assumir no grupo. Para participar da terapia de grupo, assim como de outras modalidades de psicoterapia, é necessário que os pacientes tenham alguma disciplina e aceitem as regras propostas. Concomitantemente, uma condição imprescindível é que sintam motivação, e que a psicoterapia de grupo seja uma das atividades consideradas prioritárias na sua vida. Essa condição reflete o desejo de se envolver no processo terapêutico e exerce importante papel no resultado a ser obtido.

OS PARTICIPANTES E O PROCESSO PSICOTERÁPICO

O paciente inicia a terapia com sua bagagem familiar e social, seu sistema de crenças, valores e seu acervo de atitudes e distorções que ocasionaram as dificuldades ou comportamentos inapropriados. Mostram-se hesitantes e, de maneira típica, mantêm o olhar fixo no terapeuta, como se esperassem um indício ou orientação de como proceder. Muitos fantasiam o terapeuta como uma figura onipotente e onisciente que irá proporcionar toda ajuda, apoio, cuidado físico e emocional, de forma ilimitada, segura e constante.

Ao iniciar a psicoterapia de grupo, o paciente confronta-se não só com situações de sua vida real, mas também com as dos outros membros. Dependendo da composição, o grupo pode ter um participante que tenha um significado especial ou particular para outro membro, que lhe traga recordações de experiências passadas ou de situações atuais ou que evoque seus conflitos.

A denominação reação do espelho ressalta-se que o papel do terapeuta na psicoterapia individual tem sido freqüentemente comparado a um espelho que reflete as características do paciente, tornando-as mais visíveis aos olhos do mesmo. Mas, por outro lado, na psicoterapia de grupo, ao se ver diante de seus colegas, é como se o paciente estivesse em uma galeria de espelhos.

O grupo permite ao paciente observar como os demais se comportam e o resultado decorrente dessa determinada ação. Mesmo na condição de observador, estando em silêncio, olhando e escutando com atenção, o cliente pode obter benefício da experiência da psicoterapia de grupo, sentindo-se aceito à medida que determinada situação em andamento tenha um significado particular (efeito espectador).

O paciente que oculta dados significantes e deixa de expressar as emoções vivenciadas no decorrer das sessões está fadado a tornar-se menos envolvido no processo psicoterápico, a obter pouca satisfação e a não se beneficiar da experiência que se propõe. Com atuação restrita fica privado de feedback. O feedback que mais se aproveita é aquele em que um participante responde: “quando você disse ou fez aquilo, eu senti...” Corresponde a uma informação sincera e não a uma mera opinião ou especulação; encerra um componente emocional e, ao mesmo tempo, uma revelação pessoal.

No grupo, à medida que se sente mais seguro, o paciente pode tentar esboçar novo comportamento, expressar sentimentos que não faziam parte de seu repertório e observar o resultado dessa nova experiência em si próprio e nos outros. Nisso consiste, em linhas gerais, o conceito de experiência emocional corretiva. Quando o feedback demonstra que as conseqüências temidas não ocorrem, ele realiza uma experiência emocional corretiva. O paciente corrige idéias que, durante muito tempo, supunha que fossem verdadeiras, como a de que suas ações trariam conseqüências catastróficas.

No grupo, o paciente não se apresenta somente por aquilo que descreve e revela sobre sua pessoa e sua vida, mas também pela forma de se vestir, postura, comportamento não-verbal, local onde se senta (por exemplo, em um canto fora do círculo do grupo), se chega atrasado, como entra na sala (com respeito ou fazendo barulho), maneira de interagir, tom de voz (confiante, imperioso, insinuante, intimidado, etc.), o tema que escolhe e prefere discutir, etc.

No decorrer da psicoterapia e tendo já desenvolvido amadurecimento, o paciente reconhece o terapeuta como autoridade que, em um primeiro momento, foi fonte de esperança e, durante o processo terapêutico, elemento importante para seu progresso, porém não o considerando mais dotado de poderes mágicos como o concebia inicialmente.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O ser humano desenvolve-se e existe através da interação com os outros. Nesse sentido, os pacientes descobrem na terapia de grupo a possibilidade de lançar mão do relacionamento para desenvolvimento pessoal, crescimento e mudança. Passam a desenvolver a criatividade e a inovação, à experiência e ao novo, sem receio do desconhecido, mantendo uma atitude de espontaneidade, expressividade e flexibilidade, além da capacidade de elaborar e integrar o oposto.

 

 

Referências:

Wikipédia, a enciclopédia livre.

Luiz Paulo de C. Bechelli1
Manoel Antônio dos Santos2
Bechelli LPC, Santos MA. "O paciente na psicoterapia de grupo". Rev Latino-am Enfermagem 2005 janeiro-fevereiro; 13(1):118-25.

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