SINDROME DE BURNOUT – Consequência de Estresse Ocupacional

SINDROME DE BURNOUT – Consequência de Estresse Ocupacional


10/12/2012

Flora da Costa Raimundo: Psicóloga Especialista (CRP 14ª/00753-2)

Didaticamente falando, antes de falar da síndrome propriamente dita, entendamos os primeiros passos para a possível instalação da mesma.

ESTRESSE :

A palavra estresse quer dizer “pressão”, “tensão” ou “insistência”, portanto estar estressado quer dizer “estar sob pressão” ou “estar sob a ação de estimulo insistente”.

Chama-se de estressor qualquer estímulo capaz de provocar o aparecimento de um conjunto de respostas orgânicas, mentais, psicológicas e/ou comportamentais.

ESTRESSE nada mais é do um grau de desgaste no corpo e na mente, que pode garantir níveis degenerativos. Contudo o estresse não implica necessariamente uma alteração mórbida: a vida normal acarreta desgaste na máquina do corpo. O estresse pode ter até valor terapêutico, como é o caso no esporte e no trabalho, exercidos moderadamente.

Tudo o que “agride”, “sobrecarrega” ou “perturba” uma pessoa pode causar estresse. Por exemplo: exposição ao calor, ao frio e a ventos, barulhos, dor, viagens longas e cansativas, poluição ambiental, trânsito caótico, enfermidades, ambientes hostis, intervenção cirúrgica, choque traumático, supressão dos hábitos saudáveis de vida, morte de familiares e amigos, tabagismo, alcoolismo, uso de drogas, etc.

O estresse pode ser chamado de Síndrome Geral de Adaptação (SAG), que é composto de três fases sucessivas: alerta, resistência e exaustão.

Fase de alerta: Ocorre quando o indivíduo entra em contato com o agente estressor e o seu corpo perde o seu equilíbrio.

Sintomas: mãos e/ou pés frios; boca seca; dor no estômago; aumento de sudorese; tensão e dor muscular (por exemplo, na região dos ombros); aperto na mandíbula/ranger os dentes ou roer unhas/ponta da caneta; diarreia passageira; insônia; taquicardia; respiração ofegante; hipertensão súbita e passageira; mudança de apetite; agitação e entusiasmo súbito.

Fase da resistência: O corpo tenta voltar ao seu equilíbrio, por isso o organismo pode se adaptar ao problema ou eliminá-lo.

Sintomas: Problemas com a memória; mal-estar generalizado; formigamento nas extremidades; sensação de desgaste físico constante; mudança de apetite; aparecimento de problemas dermatológicos; hipertensão arterial; cansaço constante; gastrite prolongada, tontura, sensibilidade emotiva excessiva; obsessão com o agente estressor; irritabilidade excessiva e desejo sexual diminuído.

Fase de Exaustão: Pode haver diversos comprometimentos físicos em forma de doença..

Sintomas: Diarreia frequente; dificuldades sexuais; formigamentos nas extremidades; insônia; tiques nervosos; hipertensão arterial confirmada; problemas dermatológicos prolongados; mudança extrema de apetite (para mais ou para menos); taquicardia; tonturas frequentes; úlcera; impossibilidade de trabalhar; pesadelos; apatia; cansaço excessivo; irritabilidade; angústia; hipersensibilidade emotiva e perda do senso de humor.

O Estresse pode ser dividido em dois tipos básicos: Crônico e agudo

O estresse crônico é aquele que afeta a maioria das pessoas, sendo constante no dia-a-dia, mas de uma forma mais suave.

O estresse agudo é mais intenso e curto, sendo causado normalmente por situações traumáticas, mas passageiras (como a depressão na morte de um parente).

O estresse pode variar entre uma simples sensação de desconforto e uma total prostração do corpo e da mente.

Os principais sintomas são: o nervosismo, a ansiedade, a raiva, a depressão, a dor no estômago, nos músculos do pescoço e ombros e dores no peito quando o indivíduo está sob pressão.

O estresse pode ainda ser distinguido quanto à natureza dos agentes estressores. O estresse de monotonia é decorrente do baixo nível de estimulação do indivíduo, da demanda do ambiente ser inferior à capacidade de resposta. Já o estresse por sobrecarga decorre do nível de estimulação superir à capacidade de adaptação do indivíduo.

SINDROME DE BURNOUT

Síndrome de Burnout é um estresse crônico advindo da situação de trabalho característico de profissionais que atendem outras pessoas como, por exemplo, professores, enfermeiros, bancários, atendentes. É mais entendido, pesquisado e estudado na área da saúde e da educação.

Existe diferença entre burnout e o estresse ocupacional. Os dois são advindos da situação de trabalho, não existe ainda um consenso em relação à gênese dos dois. Só que o estresse ocupacional ele também apresenta algumas características que o burnout tem como: a exaustão emocional e a diminuição da realização profissional; mas só no burnout que você vai encontrar a despersonalização.

Os principais sintomas são compostos por três componentes: exaustão emocional que tem como característica a fadiga, o cansaço (é a falta de recurso emocionai). Na verdade, nós temos aí uma demanda do ambiente, a falta de recursos do trabalhador para lidar com a situação, o que vai gerar um estado de tensão. Esse estado de tensão mantido vai gerar o estresse.

O prolongamento desse estado de tensão vai gerar o burnout. Então, a exaustão emocional é exatamente o cansaço, a fadiga, a falta de recursos para lidar com a situação. A diminuição da realização profissional é o descrédito em si, a baixa autoestima, a pessoa começa a se questionar, a questionar a sua competência e aí ela entra na fase de despersonalização, nessa fase ela se torna uma pessoa negativa, cética, fria, é como se existisse um esvaziamento. Então o trabalhador vai ter um distanciamento do seu paciente, do seu cliente, da pessoa que está prestando serviços.

Concomitantemente a essas características, tende a ter determinados sintomas que podem ser psicossomáticos: a pessoa começa a adoecer, e hoje sabemos que existem várias doenças que afastam os trabalhadores de suas funções. Então a pessoa pode ter dores de cabeça, gastrite, alergias, dentre outras (estes são sintomas psicossomáticos). Também pode ter sintomas emocionais, irritação, falta de paciência que vai gerar dificuldade de relacionamento, baixa tolerância... Ele também pode ter sintomas defensivos que é o não entrar em contato com a realidade. Inclusive um exemplo comum de se dar é uma enfermeira que o médico chega, dá a notícia de óbito de uma criança e ela tenha que dar essa notícia para a mãe e ela trata como se nada estivesse acontecendo. Não que ela tenha que ter um envolvimento, não é nada disso, mas existe ali um vínculo, mesmo que profissional, mas existe um vínculo. Quando o trabalhador está na fase de despersonalização ele tem um total distanciamento do usuário, do paciente ou cliente.

Existem determinantes que causam a síndrome de burnout que são individuais e organizacionais. No caso de organizacionais temos: a estrutura física da organização, ruídos, barulhos, vibrações, aspecto ergonômico, a estrutura organizacional; então, dependendo do excesso de trabalho, o apoio social que o trabalhador tem, turnos do trabalho, sobrecarga do trabalho é determinantes do burnout, mas também existe a questão individual e da personalidade.

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