Criatividade em Arteterapia no Contexto Educacional

Criatividade em Arteterapia no Contexto Educacional


06/08/2012

Cibele Praça Pinheiro: Psicóloga

Desde os tempos primórdios, a arte vem ocupando espaço na formação humana permitindo ao homem expressar e perceber os significados atribuídos a sua vida por meio de uma linguagem totalmente simbólica.

 Assim, em qualquer linguagem, é necessário conhecer a estrutura e aprender a decodificar os símbolos nela contidos. No entanto, são inúmeras as possibilidades que o ser humano tem para exercitar sua expressão criativa e buscar o equilíbrio com o meio circundante. Diante disso, podemos destacar que:

Criatividade e sensibilidade são um potencial humano. Todos nós nascemos com um potencial da criatividade e é nos múltiplos encontros com a vida que estes vão se revelar e desabrochar... Concebo saúde como ligada à criatividade, a processos criativos na vida, à visão do homem com um ser-em-relação, ser-no-mundo cuja natureza peculiar é ser criador. (CIORNAI, 1995, P. 59)

Neste contexto, entende-se que a criatividade é potencialmente reveladora e transformadora ao ser humano e a realização desse potencial é a base fundamental para o pleno desenvolvimento de suas necessidades vitais.

Com isso, a arte passa a ser usada também como ferramenta terapêutica, oferecendo a possibilidade de alcançar a maturidade psíquica e a integridade da personalidade através do contato com a experiência emocional em virtude das expressões artísticas.

Entretanto, a arte e a terapia se juntam numa visão praticamente nova, num olhar que favorece o desenvolvimento da criatividade, a adaptação ao mundo e a busca de entendimento das reais necessidades do homem, ou seja:

[...] são como estrelas de uma constelação: considero que as diferenças entre uma “estrela” em relação a outra dizem respeito ao foco de atenção, ao estudar a dinâmica relacional eu-outro, valorizando a construção criativa. A arteterapia focaliza essencialmente as questões sobre a postura e os fundamentos terapêuticos, considerando o aprofundamento do fazer e do refletir das artes plásticas e de outros recursos expressivos. (CIORNAI, 2005, P.26)

 Sendo assim, o trabalho da arteterapia é um processo terapêutico que designa a utilização de recursos artísticos com finalidade de alcançar a maturidade psíquica, sem se preocupar com a estética. Portanto, o processo direciona para diversos tipos de problemas, tanto de aprendizagem como também para as questões mais difíceis e traumáticas, proporcionando mais um recurso de crescimento interior e bem-estar das pessoas.

Por outro lado, a utilização da arteterapia no contexto escolar é fundamental, pois auxilia o aprendiz a se manifestar, criar, pensar e construir seu conhecimento através das expressões artísticas. Desta forma, o educador-terapeuta precisa:

Primeiramente confirmar a existência do indivíduo como ele é, para possibilitar a cura pelo encontro, liberando potencialidades do paciente e do aprendiz. Considerando o pensamento de Buber, aquele que se coloca como terapeuta (educador, psicopedagogo, arteterapeuta) não está só a serviço do paciente e do aprendiz, mas também a serviço da tarefa de curar, ensinar ou aperfeiçoar. (CIORNAI, 2005, P.26)

Nesse sentido, os recursos expressivos possibilitam a ampliação do olhar do educador sobre a percepção das manifestações artísticas de cada cultura imposta pela sociedade. Além disso, podem tornar-se facilitadores do contato e da comunicação do grupo, pois muitas pessoas apresentam dificuldades de se expressarem verbalmente, podendo encontrar outras formas de falar de seus sentimentos pelo trabalho artístico, bem como refletir sobre o próprio trabalho. Como nos diz Freire,

Transformar o mundo através de seu trabalho, dizer o mundo, expressá-lo e expressar-se é próprio dos seres humanos. A educação qualquer que seja o nível em que se vê, se fará tão mais verdadeira quanto mais estimule o desenvolvimento desta necessidade radical dos seres humanos, a de sua expressividade.  (1977, P. 24)

Contudo, a arteterapia no contexto educacional se enriquece como mediadora do diálogo interno, da visão de mundo e de si mesmo. Além disso, ajuda a trabalhar com os bloqueios de aprendizagem e construção dos conceitos/conhecimentos.

Enfim, a arte como terapia pode ser utilizada entre vários campos do conhecimento, ou seja, colaborando na construção da interdisciplinidade no âmbito escolar e promovendo o desenvolvimento do potencial humano.

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